Gattaz Transborda: Devaneios sobre o Capitalismo Digital

Gattaz Transborda: Devaneios sobre o Capitalismo Digital

Projeto do website: Gattaz Transborda

Objetivo: codar sozinho ou com ajuda de pessoas ao longo do caminho um website simples em githubpages no estilo MarkFisher. Com historico, organizado por meses e anos.

O que teremos aqui:

Terei devaneios ao longo do estudo do mestrado. Não quero me preocupar com a estética, somente garantir a fonte typewriter ou como essa aqui desse devaneio: Source Code Pro. Como se eu estivesse na minha máquina de escrever assim como algum pensador já esteve: com muita coisa na cabeça e a vontade de escrever o que vem do coração e não somente do que o cérebro eletrônico da IA entende que tem maior probabilidade de ir ser a próxima palavra. Aqui não teremos devaneios pessoais ou desenhos, para isso mantenho meu caderno Schizzi. Quero focar na tecnologia, nos processos de ressignificação que ocorrem no capitalismo digital do qual estou inserido desde meu estágio e até quem sabe do blog da faculdade ESPM, Newronio. Blog este que escrevi um pouco de tudo, mas com certeza escrevi muito sobre cinema, coisas que eu amo e quando sobrava tempo: Semiótica, propagandas que mesclavam arte e evidênciavam o que a publicidade um dia já foi: um pouco de arte com intuito de vender um produto. Hoje, a publicidade mudou, a publicidade que eu estudei já é outra, já é tudo algoritmo ou matemarketing, já é um emaranhado de datapoints que no fim segmentam nós indivíduos. Como eu sempre brinquei com os times comerciais ao longo da minha carreira: É muito mais que um bannerzinho… Bannerzinho esse que tem poderes interessantes como A Jean Grey que pode ocasionar alucinações das mais diversas. A diferença é que a Jean é uma heroína, exceto a fase Fenix Negra, ela luta por um mundo mais justo tal qual foi seu mentor: Professor Xavier.

É necessário entender que quando um banner verde de uma marca de cerveja aparece pra você de duas uma: campanha sem segmento algum ou algo muito nichado: Você pesquisou isso? Você comprou isso? Você acessou o wi-fi “grátis” de algum bar recentemente? Aquela velha máxima que roda no senso comum: falei e o celular ouviu, não é verdadeira. Mas ele te escuta de N formas. Teu endereço de IP, o que você curte, lugares que frequenta. Ele sabe de você tão bem quanto você mesmo.

Marshall McLuhan uma vez disse em Do Cliche ao Arquétipo “À medida que a própria informação se torna o maior negócio do mundo, os bancos de dados sabem mais sobre as pessoas individualmente do que as próprias pessoas. Quanto mais bancos de dados registram sobre cada um de nós, menos existimos.”

Esse é só mais um devaneio de quem participou ativamente da construção da Publicidade Digital. Não estava lá no Google em 1999 quando tiveram a ideia de jogar Anúncio nas primeiras posições. Ou quando usaram estatística com Design with Intent para fazer 200 milhões de dólares em anúncio porque um tom de azul gerou mais cliques que outros 49… Mas estava lá vendo palestras dos primórdios do Pinterest Ads, acompanhando na curiosidade de um jovem estagiário. Estava lá subindo campanhas de Waze Ads e tentando entender: se não engajam tanto com o anúncio, porque estão anunciando aqui? Aí que eu entendi a importância dos dados e da audiência gerada na publicidade digital. Aí que eu entendi que dizer pra uma empresa de Fast Food: Aonde as pessoas costumam dirigir no trajeto casa, através de uma fórmula de distância entre os pontos no espaço geodésico, podemos categoricamente dizer: não tem nenhuma loja sua. Na Rappi entendi que se eu sei que uma pessoa compra X itens no carrinho, pode haver a propensão de adicionar mais itens se eles tiverem uma promoção vinculada. De Cashback é um mecanismo poderoso, mas custoso porque quem arca é a marca ou a empresa. No iFood junto ao time de engenharia e design construímos os alicerces de um servidor de anúncio na maior foodtech da América Latina com muitas pessoas comprando em frequência alta e toda uma rede de trabalhadores nuvem por trás e estabelecimentos querendo entregar uma refeição na mesa de casa das pessoas.

Eu já quebrei muito banco de dados aprendendo na marra como mexer com dados e posso categoricamente afirmar: McLuhan acertou em 1969 o que o capitalismo digital se tornaria e por que ter um banco de dados dos seus usuários é tão valioso para uma grande corporação. Espero seguir refletindo e ter um final feliz diferente das grandes pessoas que me inspiram: Mark Fisher, David Bowie, Elsa Dorin, Marielle Franco, Fanny Kaplan. Pessoas incríveis que deixaram pensamentos sobre o nosso modo de vida. Eu pretendo deixar pensamentos sobre como o Capitalismo Digital ressignificou muita coisa, inclusive a forma de cimentar o mundo digital que você vê na sua tela.

Com licença que em breve vou transbordar ainda mais ali no meu mestrado de Semiótica na PUC-SP